A virada paradigmática de ensino religioso no Brasil revisão bibliográfica do legado de Wolfgang Gruen e sua influência na Base Nacional Comum Curricular e no Currículo Referência de Minas Gerais
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Resumo
O Ensino Religioso (ER) no Brasil é historicamente marcado por tensões entre a laicidade do Estado e a confessionalidade religiosa, configurando-se como campo de disputas normativas, epistemológicas e pedagógicas. Este artigo analisa a virada paradigmática proposta por Wolfgang Gruen em Minas Gerais, na década de 1960, e examina como seus fundamentos epistemológicos foram incorporados ao Currículo Referência de Minas Gerais (CRMG), contribuindo para a superação do modelo confessional do ER. A pesquisa adota abordagem bibliográfica e documental, com base na produção intelectual de Gruen, em marcos normativos nacionais regulamentadores do ER e no CRMG. A seleção das obras considerou dois critérios: centralidade temática no debate sobre os fundamentos do ER e relevância histórica no processo de transformação do componente curricular no Brasil, a partir da década de 1960. A análise indica que uma das contribuições de Gruen foi distinguir ER de catequese. Inspirado em Paul Tillich, Gruen compreendeu a religiosidade como categoria antropológica, associada à busca humana por sentido para a existência, propondo-a como objeto de estudo do ER. Essa perspectiva ampliou o alcance do ER para todos os estudantes, inclusive os sem filiação religiosa, e fundamentou a formulação da chamada “linguagem de fora”, considerada adequada ao espaço escolar plural.
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